Ninho foi identificado próximo ao Farol de Belém, e nascimento reforça a qualidade ambiental e a importância da preservação no espaço

Um acontecimento raro e emocionante acaba de marcar a história do Parque Zoobotânico Mangal das Garças: nasceu o primeiro filhote de garça-branca-grande oficialmente registrado no espaço.
O ninho foi identificado pela equipe técnica durante o monitoramento rotineiro da área. Localizado em uma árvore próxima ao Farol de Belém, um dos pontos mais visitados do parque. O espaço passou a ser acompanhado com cuidado e respeito ao ciclo natural da espécie, garantindo que todo o processo ocorresse sem interferências humanas.
“O filhote nasceu há cerca de duas semanas e vem se desenvolvendo muito bem. Acompanhamos tudo à distância, assegurando tranquilidade aos pais e ao ninho”, explica o biólogo Basílio Guerreiro.
O nascimento tem um significado ainda mais especial porque o próprio nome do parque remete à presença constante das garças na região. Embora sejam aves de vida livre e utilizem diferentes ecossistemas da cidade e arredores, elas encontram no Mangal um ponto tradicional de abrigo e alimentação.
“O parque sempre foi área de intensa visitação de garças. Algumas já chegaram a albergar aqui, mas nunca havíamos registrado a reprodução da espécie, devido às suas exigências específicas. É a primeira vez que acompanhamos uma reprodução bem-sucedida da garça-branca-grande no Mangal”, destaca Guerreiro.

Conscientização – Por estar em uma área de circulação de visitantes, a equipe reforça a importância de que o público não se aproxime da árvore onde o ninho está instalado e não ultrapasse áreas gramadas próximas. Além das garças, outras espécies utilizam o solo do parque para a postura de ovos, e o simples ato de pisar na grama pode comprometer ninhos camuflados e invisíveis a olho nu.
Indicador de qualidade ambiental
Típica de áreas alagadas, rios e manguezais, a garça-branca-grande é considerada um importante indicador de qualidade ambiental. Sua reprodução no parque demonstra que o espaço oferece condições adequadas de segurança, alimentação e tranquilidade, fatores essenciais para a permanência e reprodução da espécie.
Em média, cerca de 200 garças visitam o Mangal diariamente. Alimentadas duas vezes ao dia, elas protagonizam um dos momentos mais aguardados pelos visitantes: dezenas de aves cruzam o céu em voos coletivos, formando um espetáculo natural que encanta o público e reforça a conexão do parque com a fauna amazônica.
Curiosidades sobre a garça-branca-grande
A garça-branca-grande (Ardea alba, sinônimo Casmerodius albus) pertence à ordem Pelecaniformes e é reconhecida pela elegância. Mede entre 65 e 104 centímetros e pode pesar de 700 gramas a 1,7 quilo.
Sua plumagem é totalmente branca, com pescoço longo que forma um “S” característico quando está em repouso. O bico é longo, amarelo ou amarelo-alaranjado; as pernas e os dedos são pretos, e a íris é amarela.

O ninho é construído em formato de plataforma, com gravetos e caules de plantas aquáticas, podendo chegar a cerca de um metro de diâmetro. O casal reforça a estrutura até que os filhotes estejam prontos para voar, e o mesmo ninho pode ser reutilizado no ano seguinte, se resistir às intempéries.
A fêmea põe de quatro a cinco ovos azulados, incubados pelo casal por aproximadamente 23 a 24 dias. Com cerca de 15 dias, os filhotes já se movimentam pelos galhos ao redor do ninho. Entre 35 e 40 dias, começam a realizar os primeiros voos curtos.
A equipe técnica segue monitorando o desenvolvimento do filhote e orienta os visitantes a manterem distância do ninho, evitando ruídos e aproximações, garantindo assim o bem-estar das aves.
Serviço: O Parque Zoobotânico Mangal das Garças é administrado pela Organização Social Pará 2000, por meio da Secretaria de Estado de Turismo e Governo do Pará. Com entrada gratuita, o local funciona de terça a domingo, de 8h às 18h, e fechas às segundas para manutenção semanal.
Texto – Beatriz Santos / Ascom OS Pará 2000
